Crise política

3057600622788899

A operação Lava Jato chegou no momento em que políticos serão alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 21 inquéritos abertos na noite de sexta-feira (6). Ao todo, 50 pessoas serão investigadas. PP é o partido com maior número de nomes citados. Como escrevi no comentário de ontem, a classe política está na berlinda. O que veio à tona é mais estarrecedor do que parecia ser. Se comprovadas as denúncias que serão alvos de inquéritos, o petrolão transformou o mensalão em mais um escândalo comum. E pode aparecer mais denúncias que colocam essas no bolso, por exemplo: Delator dirá que Camargo Corrêa pagou R$ 100 milhões em propina para PT e PMDB em Belo Monte.

A classe política está na berlinda. PP, PMDB, PT, PSB e PSDB envolvidos no maior escândalo de corrupção da República brasileira. Não é de hoje que os políticos se afundam no mar de lama dos escândalos, mas a operação Lava Jato tem tudo para ser o apocalipse. Uma lavagem da política que não vai acabar com a corrupção porque a corrupção não acaba nunca. Mas pode ser o marco zero para moralizar um pouco a classe política. Ou será a avacalhação completa e definitiva dos políticos.

Estou quase convencido que Geraldo Alckmin será o candidato do PSDB na disputa presidencial de 2018. Apesar dos 51 milhões de votos no segundo turno de 2014, Aécio Neves tem muitos esqueletos no armário. Desde aeroporto em terreno da própria família reformado com dinheiro público até a última que o senador mineiro teria recebido propina quando era deputado federal. Em deleção, o doleiro Alberto Youssef afirmou ter ouvido dizer que o senador tinha influência sobre negócios em uma diretoria de Furnas, no fim do governo Fernando Henrique Cardoso. Alckmin tem uma grave crise hídrica em São Paulo, mas que parece está sendo controlada. Ainda tem José Serra que pode querer voltar a disputar à presidência pela terceira vez.

E Marina? Marina Silva sumiu do noticiário igual entre a campanha de 2010 e o primeiro mandato da presidente Dilma. Demorou e quando foi buscar o registro do seu partido foi em cima do prazo de um ano para disputar a eleição. Sem partido, Marina aceitou o convite de Eduardo Campos para ser a vice dele e assumindo o comando da chapa depois da morte trágica de Campos. A Rede Sustentabilidade sofreu algumas baixas depois que Marina resolveu apoiar Aécio no segundo turno. Se conseguir as assinaturas que faltam para o TSE entregar o registro e Marina conseguir ter seu próprio partido, e deixar de ser sem-partido, ela entra como favorita na corrida presidencial em 2018. A dúvida é saber se ela quer concorrer a mais uma disputa presidencial depois da última campanha e experimentar novamente a máquina de desconstrução política de João Santana e do PT.

Anúncios