Uma lição para a presidente

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Aos poucos está sendo descoberto o tamanho do buraco que o setor elétrico se encontra atualmente. Depois do apagão de segunda-feira, o Brasil importou energia elétrica da Argentina para garantir plenamente o consumo do país na última terça-feira, mostrou com exclusividade o Jornal O Globo. É um acordo sem custo entre os países vizinhos. Quando um país está precisando de um reforço na geração de energia pede ao outro devolvendo a gentileza quando o país que emprestou precisar.

O caos no setor elétrico tem DNA de Dilma Vana Rousseff, a presidente da República. A presidente, inocentemente ou por convicção, embarcou naquele plano eleitoreiro elaborado pelo marqueteiro João Santana em 2013. Um setor vital usado como propaganda política-eleitoral.

Faço um mea-culpa aqui, porque na época eu aplaudi a redução da tarifa de eletricidade na marra. Hoje, vejo que foi um grande erro e que agravou a crise gerada pela seca que passa o país.

Mas o pior foi o governo tentando corrigir um erro com outro. Para segurar esse corte na conta de luz até a eleição e não deixar que um amento fizesse a inflação passar do teto da meta (6,5%), o governo usou e abusou dos empréstimos para socorrer as distribuidoras. Transferências de bilhões de reais do Tesouro Nacional e das estatais que colaboraram para o déficit nas contas públicas.

Ministro Eduardo Braga (Minas e Energia) disse que “Deus é brasileiro” e não faltará energia. Apesar desse otimismo do ministro, o perigo de um racionamento é grande. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) fixou bandeira vermelha para o mês de janeiro. Ainda tem o inevitável aumento na conta de luz, de até 40% nas tarifas.

Um racionamento é sempre doloroso para a economia do país. Também é para população e para a popularidade do governante de plantão. O presidente Fernando Henrique Cardoso sacrificou a sua popularidade decretando racionamento de energia em 2001. Ele poderia ter empurrado o problema até as eleições de 2002 e deixado a bomba explodir para o próximo presidente. Não significa, no entanto, que isso o absolve. Racionamento de energia ou de água é prova de incompetência gerencial de um governo.

A presidente Dilma aprendeu uma lição: deixar o marketing político só para a eleição. Para o bem de todos, espero que ela tenha aprendido essa lição.

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