2014, o ano que entrou para história

fspA eleição presidencial de 2014 foi polarizada ao máximo como não se via desde 1989. Ao fim dela se seguiu manifestações contra a reeleição de Dilma, principalmente em São Paulo, com absurdos pedidos de intervenção militar e pedidos legítimos (ainda não se sabe se há fundamentos para tal) de impeachment da presidente por conta das denúncias na Petrobras.

Antecipado por causa das manifestações de junho de 2013, nunca antes na história desse país houve uma eleição tão longa. Mais de um ano contando a partir dos protestos de junho. Em março de 2013, a presidente Dilma tinha 65% de ótimo e bom nas pesquisas de avaliação de governo. Em junho, caiu para 30%, mas recuperou um pouco da popularidade perdida e ficou oscilando para baixo e para cima durante todo o ano de 2014.

Na Corrida ao Planalto, o primeiro grande ato foi a filiação de Marina Silva ao PSB para ser a vice na chapa do presidenciável Eduardo Campos depois da Rede Sustentabilidade ter o registro negado no TSE. Foi uma grande jogada de Eduardo Campos, mas que desagradou marineiros que achavam que Marina se filiando num partido tradicional quebraria a principal bandeira do grupo: a nova política.

Nas pesquisas eleitorais de pré-campanha, a aliança não elevou as intenções de voto de Eduardo Campos, que era conhecido apenas no Nordeste do País, mais especificamente em Pernambuco, onde foi reeleito em 2010 com mais de 80% dos votos. Marina sempre se manteve como a adversária que mais ameaçava Dilma. Ela chegou a ter 27% na pesquisa Datafolha de abril/2014. O pico de Campos foi na pesquisa Ibope de 7 de junho, com 13%. Mas logo voltou para o teto de 7% a 11%. A grande esperança e aposta de Eduardo Campos para alavancar sua candidatura era o horário eleitoral no rádio e na TV.

revistas-morte-eduardo-campos

Mas o que mudou mesmo foi o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos e toda sua equipe no dia 13 de agosto de 2014, em Santos-SP, um dia depois da entrevista do presidenciável do PSB ao Jornal Nacional, onde ele, ao final da sabatina, disparou a famosa frase “Não vamos desistir do Brasil. É aqui que vamos criar nossos filhos e netos.” Frase esta que virou o lema da campanha do PSB depois de sua morte. A morte de Eduardo Campos bagunçou o quadro eleitoral. Sua vice, Marina Silva, assumiu a candidatura do partido tendo como seu vice o Deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Antes mesmo do anúncio oficial, o instituto Datafolha realizou uma pesquisa com o nome de Marina e que já a colocava em empate técnico com Aécio Neves (21% a 20%). Dias depois o Ibope fez o mesmo. Marina já colocava 10 pontos de vantagem sobre Aécio (29% a 19%) e se aproximava com uma velocidade espantosa de Dilma (34%), inclusive passando a presidente na simulação de segundo turno (47% a 43%). Na Pesquisa Datafolha de 28 de agosto, Marina empatou com Dilma (34% a 34%) já no primeiro turno e colocava 10 pontos (50% a 40%) de vantagem no segundo turno entre as duas. Parecia que a polarização de 20 anos entre PT e PSDB na disputa presidencial tinha sido finalmente quebrada. Aécio minguava a cada pesquisa até cair para inacreditáveis 14%. O melhor candidato tucano para presidente desde 2002 corria sérios riscos de nem ir ao segundo turno.

Mas Aécio nunca jogou a toalha e dizia que “a onda da razão prevalecerá no final”. Virou piada principalmente na internet, só que os ataques tanto do PSDB e, principalmente, os mais agressivos ataques do PT fizeram Marina se desidratar e, na mesma velocidade que subiu, ela desceu. Aécio foi recuperando votos perdidos para Marina e na reta final do primeiro turno já estava em empate técnico com a candidata do PSB.

2014-1No fim, as urnas mantiveram a lógica que já dura desde 2002: PT e PSDB no segundo turno. Aécio conseguiu mais de 34 milhões de votos, mais perto dos 43 milhões da presidente Dilma do que os 22 milhões de Marina. Contrariando as pesquisas eleitorais de Datafolha e Ibope da véspera do primeiro turno que indicavam um empate técnico entre Aécio e Marina (26% a 24%). Um segundo turno sangrento aguardava Aécio e Dilma.

E a previsão se realizou. O país foi dividido e entre acusações mútuas os candidatos se alternavam na liderança das pesquisas. Aécio começou o segundo turno na frente (era previsível) – 51% a 49%. Era a primeira vez que um candidato tucano ficava na frente de um candidato petista na disputa de um segundo turno. Mas, com a subida da aprovação do governo – 44% de ótimo e bom na véspera da eleição, Dilma virou e passou a ter 51% a 49% a seu favor, 2014-2chegando a 53% a 47% no Ibope na pesquisa de sábado (25/10) e 52% a 48% no Datafolha de 25/10, véspera do segundo turno.

Eleição indefinida, o brasileiro foi às urnas novamente no dia 26/10 para a eleição presidencial mais disputada desde 1989. Findada a votação, por causa do fuso horário no Acre (3 horas a menos que Brasília), a apuração seguia em sigilo. Só quando terminasse a votação no Acre é que o TSE mostraria os números para Presidente da República.

Co10659380_10152471851522339_654442303518786635_nm o fim da votação no Acre e mais de 80% das urnas apuradas em todo país, o TSE divulgou a primeira parcial às 20 horas no horário de Brasília. E se confirmou o que já era esperado, o País completamente dividido: 50,01% a 49,99%, para Dilma. Aécio liderou as primeiras horas de apuração e só às 19h30 que Dilma virou a disputa. Uma hora depois, a presidente foi matematicamente reeleita com 51,45% dos votos apurados até aquele momento. Dilma terminou a apuração com 51,64%, e Aécio com 48,36%.

Para efeito de comparação, o segundo turno ente Collor e Lula, em 1989, a primeira eleição presidencial direta depois da redemocratização terminou 53% a 47%, para Collor.

Agora é esperar que venha 2016 – ano olímpico (Rio 2016) – com as eleições municipais e 2018. Sem esquecer 2015 e todo mandato presidencial. Além de governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais que começam a governar a partir de 1º de janeiro.

Viva a Democracia! Viva a Liberdade!

Anúncios