Balanço do Sequestro em Sydney

sequestro-sidneyOs Acontecimentos

Na manhã de segunda-feira (15) na Austrália, um homem armado fez vários reféns em um Café em Sydney, New South Gales. A polícia cercou o local, e seis horas depois, três reféns saíram da cafeteria. Logo após, mais dois reféns deixaram o estabelecimento, sem a informação de autoridades se foram liberados ou se conseguiram fugir. Dezessete pessoas estavam no local na hora do sequestro.

Às 2h locais, a polícia invadiu o café após tiros terem sidos disparados pelo sequestrador. Na invasão, dois reféns e o atirador morreram, e outras seis pessoas ficaram feridas.

O Sequestrador

O sequestrador foi identificado como Man Haron Monis pela rede 9News. Monis é iraniano e mudou-se para a Austrália em 1996. Foi processado em 2009 por fazer uma campanha de cartas de ódio contra a ação militar no Afeganistão que teve ajuda de tropas australianas. No ano passado, ainda segundo a emissora, o homem foi suspeito de ter assassinado a ex-mulher, e em 2014, acusado de cometer diversos crimes sexuais.

A Bandeira

Durante as 16 horas que se deram o sequestro, uma bandeira preta com a shahada foi exposta pelo criminoso. A frase significa “Não há deus a não ser Deus, Maomé é o mensageiro de Deus”. Logo se levantou a questão de que a frase na bandeira exposta em Sydney aparecia também na bandeira do Estado Islâmico, o que foi suficiente para o jornal Huffington Post sugerir que o ato em Sydney seria politicamente motivado.

O erro aqui é partir do pressuposto que por usar a mesma frase que o grupo terrorista, o sequestrador seria um colaborador da causa. A shahada aparece em vários locais alheios ao EI, inclusive na bandeira da Arábia Saudita. Vários grupos radicais e moderados usam a shahada. Atrelar radicalismo islâmico à frase de fé é uma tremenda imprecisão.

As Reações

O local escolhido pelo sequestrador era estratégico, próximo ao parlamento de New South Wales, do Hospital de Sydney e da Suprema Corte do estado, o que gerou temor após o anúncio de que bombas estariam espalhadas pela região. Porém, a postura que a mídia australiana – especialmente a ABC – assumiu foi de extrema importância para o controle da disseminação do medo. Informando a população com clareza e divulgando mensagens de paz em vez de mensagens de medo, o temor foi contido e não generalizado.

Outra boa iniciativa foi a campanha I Will Ride With You, de solidariedade dos australianos aos muçulmanos e contra a islamofobia, além dos manifestos contrários ao crime por parte dos muçulmanos do país. Essas atitudes diminuem os efeitos colaterais de atos de terror, sejam eles de motivação religiosa, política ou qualquer outra.

O Balanço

O saldo é negativo. Vidas foram perdidas e pessoas ficaram feridas. Alguns meios de comunicação ainda foram rasos e feriram a moral da comunidade islâmica, como no caso supracitado. Entretanto, as melhores reações vistas na Austrália são bons exemplos de como lidar com atos terroristas ou situações de medo generalizado. O radicalismo, de qualquer origem, deve sempre ser colocado à margem, ser enfrentado e extinguido. O terror não pode continuar sendo uma ferramenta útil no mundo atual. Parabéns aos australianos por provarem que conseguimos combater esse mal, e força às famílias das vítimas.

Felipe Alves assina uma coluna quinzenal nesse blog. Seu primeiro texto foi: A liderança mundial e o saudosismo realista

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