Dilma vence a eleição mais disputada desde 1989 e o futuro de Aécio e Marina

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A presidente Dilma Rousseff (PT) foi reeleita no último domingo com 54.501.118 (51,64%) de votos, a menor diferença desde 1989. 51.041.155 (48,36%) votaram em Aécio Neves (PSDB) neste segundo turno.

O que fica de legado desta eleição é que o PT precisa, urgentemente, acordar para a vida. Não pode ter a ilusão de que o povo optou pela continuidade. Definitivamente, não. Os mais de 50 milhões que votaram na oposição e mesmo os que votaram em Dilma querem mudanças em relação à forma como o país foi governado nos últimos quatro anos.

Mudança na economia e na política, como a necessária reforma política. Em seu discurso de vitória, Dilma afirmou que o objetivo de seu segundo mandato é, além de manter o combate à miséria, manter o pleno emprego e o combate à inflação, é recuperar o crescimento econômico. Na entrevista ao Jornal Nacional no dia seguinte,  a presidente assegurou que a reforma política sairá e defendeu um plebiscito para isso – como havia dito em junho de 2013.

Todavia, não será nada fácil. A nova composição do novo Congresso – muito mais conservador – tentará barrar qualquer iniciativa mais progressista do governo. Descriminalização do aborto, da maconha e a criminalização da homofobia não sairão desse novo Congresso. O atual presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), que ao que tudo indica será reconduzido ao cargo, já falou que plebiscito não passa. No máximo, um referendo. Inclusive, o PMDB já deu o recado.

Sem falar no loteamento dos ministérios e cargos para uma suposta governabilidade que como se vê na prática não existe. A base governista deu mais dor de cabeça para a presidente do que a oposição no primeiro mandato. Dilma não tem mais a reeleição que a prenda, mas precisa dialogar tanto com a base governista tanto com oposição para fazer as suas propostas avançarem para fazer o país destravar e melhorar os serviços públicos que ela prometeu na campanha. Se não conseguir, vai passar para população que ela não entendeu o recado, de ganhar por tão pouco e a chance do PT perder 2018 é triplicada.

aecioAécio Neves

Com um cacife político de 50 milhões de votos, Aécio Neves tem tudo para ser o grande líder da oposição, coisa que ele não conseguiu ser no Senado. Pois só o foi quando a eleição se aproximou e, talvez por esse motivo, tenha lhe faltado votos para se eleger. Além de erros fatais em Minas Gerais, como apostar apenas na aprovação de 92% de seu governo por lá e indicando um candidato inexpressivo ao governo do estado, Pimenta da Veiga, que perdeu no primeiro turno para o petista Fernando Pimentel. O PSDB precisa reestruturar-se no Rio de Janeiro e, principalmente, no nordeste para voltar a sonhar com uma vitória presidencial.

Marina Silva

Marina Silva

Marina Silva comprovou nessa eleição que tem um teto de 20 milhões de votos nada descartáveis, mas que precisa ir além para pelo menos avançar para um segundo turno. Ela deve conseguir o registro do seu partido no TSE sem precisar ser “inquilina” em outro partido. Não sei se ela pretende se candidatar novamente. Tentar a presidência pela terceira vez e repetir a persistência de Lula até conseguir. Mas ela vai ter que entender que a derrota dela (de favorita a ganhar no segundo turno nem ir a ele) não foi só pela “desconstrução mentirosa e marketing selvagem”. Reconhecer seus próprios erros durante a campanha (e corrigi-los) é mais importante e crucial para sua sobrevivência como importante líder na política brasileira.

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