Vitória ou morte

militantes

Já foi falado neste espaço que a campanha eleitoral de 2014 está insana e baixa tanto entre candidatos e partidos quanto na internet. Debati no Twitter que, dependendo do resultado do dia 26, distúrbios podem ocorrer em várias partes pelo país. Cheguei até a escrever “guerra civil”, mas não acredito que chegue a tanto. O brasileiro é acomodado demais para uma guerra civil e o tamanho do país dificulta isso também (ainda bem).

Só que quando o brasileiro resolve ir para rua protestar, algum fato relevante acontece. Desde a campanha “O petróleo é nosso”, de Getúlio Vargas na década de 1950, passando pela campanha das Diretas Já!, que ajudou a acelerar a reabertura política e redemocratização, “os caras-pintadas” que ajudaram no impeachment do presidente Fernando Collor em 1992 e agora nas manifestações de junho de 2013 que começaram com o pessoal do MPL (Movimento Passe Livre) contra o aumento de R$ 0,20 das passagens de ônibus e metrô nas grandes cidades.

Graças à truculência da PM paulista os protestos foram aumentando e culminaram em um milhão de pessoas indo às ruas exigir segurança, saúde, educação, transporte público de qualidade. Com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo aqui e os gastos que extrapolaram e muito os orçamentos das duas competições esportivas, a expressão mais usada era “Padrão FIFA”, além de “sem partido” e “não me representam”.

Nenhum político escapou da ira. Governadores, prefeitos, deputados, senadores e até a presidente Dilma viram suas popularidades despencarem à época. Vieram os aproveitadores e surgiram os black blocs destruindo o patrimônio público e privado como bancos – por representarem o capitalismo. Com os black blocs, o povo se retirou das ruas. Meu medo é que essa guerra das militâncias na rede e nas ruas exploda de vez no dia e depois da eleição. Ainda mais numa eleição tão disputada, que dividiu o país como não acontecia desde 1989, a primeira eleição direta para presidente da República depois do regime militar.

O bom senso e o limite estão sendo espancados sem piedade, todos os dias dessa campanha. Mas que o lado derrotado seja democrático e aceite o que sair das urnas e não crie teorias conspiratórias e inflame a militância. Caso contrário, o circo pode pegar fogo de uma vez e todos saírem queimados. Uma coisa é certa: essa campanha deixará sequelas e traumas que precisarão de anos para serem esquecidos (se isso for possível).

Militância

O militante está no Twitter, no Facebook e nos blogs (muitos patrocinados por estatais). O militante político defende seu partido como se fosse uma igreja; sua ideologia como se fosse uma religião. Defende o político favorito como se fosse um Deus. Mesmo que o partido tenha cometido algum erro, o político se envolveu em algum esquema de corrupção e a ideologia seja rechaçada com argumentos fortes e definitivos, o militante está lá defendendo as cores do partido. Colocando uma foto do líder do partido no avatar e combatendo o “outro lado” chamando de nazista-fascista.

Para o militante quem não está ao seu lado está do lado do “inimigo”. “Somos nós contra eles, seu fascistinha.”, escreve raivoso o esquerdista na rede social. “É golpe! Foro de São Paulo! Bolivarianismo! Fora PT! Fora nove dedos! Fora Lulla! Fora Dillma terrorista! Volta, militares!”, escreve também raivoso o reaça. E assim segue todo santo dia a guerra das militâncias. Porque o que vale para o militante é defender cegamente o partido e a ideologia. Ou odiar um partido político.

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