Eleições 2014: Coluna do Eleitor

Declaração de voto em Aécio Neves

Por Vinícius de Melo Justo

Senador Aécio Neves (PSDB/MG)
Senador Aécio Neves (PSDB/MG)

A escolha de um presidente a cada quatro anos deveria ser mais fácil. Explico: nós, como parte do país, deveríamos avaliar os caminhos possíveis que nos são apresentados e decidirmo-nos entre eles, sabendo que não podemos prever totalmente o futuro mas que podemos confiar no passado como um guia para escolher no presente.

No entanto, a escolha nem sempre é fácil. A ideologia pessoal ou a afinidade com algum candidato faz com que fatores importantes sejam ignorados no processo decisório. Até mesmo os que pensamos estar distantes dessas emoções com frequência nos vemos presos a elas. Mas não só: às vezes, nossa capacidade de avaliar os caminhos disponíveis é turvada por outros fatores, muito menos compreensíveis.

Infelizmente, o atual governo encerrou um ciclo de conquistas sociais que veio de seus dois antecessores. Ao mesmo tempo a redução da desigualdade parou, comprometendo o legado de Lula, e a inflação retorna a níveis altos, comprometendo o legado de FHC. O único ponto positivo, o baixo desemprego, está com os dias contados. Teremos anos difíceis pela frente – e não sabemos quão difíceis serão, pois o governo maquia seus dados para fingir que está tudo bem.

Sem saber a extensão do problema e, portanto, incapazes de avaliar bem as possibilidades propostas, os eleitores estamos no beco sem saída das escolhas arriscadas. Decidir-se por dar mais quatro anos a Dilma sem dúvida é no mínimo temerário: a presidente falhou em resolver os desafios que surgiram e ainda criou outros para o próximo mandato. Votar na oposição me parece até lógico: em um país democrático, a situação pode concorrer e tentar se manter, mas apenas se estiver em um bom caminho. Não é o caso.

Por outro lado, a opção por Marina ou Aécio – os dois candidatos de oposição mais fortes – não pode ser feita apenas com base nas características particulares de ambos. Eu, pessoalmente, preferiria que julgassem os governos que cada um pretende fazer, e mais importante ainda, que podem fazer, levando em conta que teremos anos difíceis pela frente.

O PSDB não é um partido sem defeitos, ao contrário. Aécio também não é um candidato perfeito. No entanto, até mesmo nos governos mais criticados, o partido costuma aplicar receitas bem-sucedidas de estabilização e retomada gradual das melhores condições para governar. Seus membros estão entre as pessoas públicas mais capazes em suas áreas, e a equipe montada por Aécio para futuramente governar o país é sem dúvida a mais qualificada entre as que disputam a eleição.

Não é preciso temer retrocessos: as políticas sociais meritórias de Lula serão honradas por um governo tucano; devem até ser melhoradas. O combate à inflação e ao desgoverno que tomou conta do país nos últimos anos não será fácil, mas teremos certeza de que o improviso não será o caminho, como tem sido no governo Dilma. Afinal, Aécio é o único candidato até agora a apresentar propostas reais, competência e capacidade para resolver esses problemas.

Se você está em dúvida entre Marina e Aécio, não vou negar: é uma boa dúvida. Marina é uma figura exemplar e merece nosso respeito. Não questiono seu preparo – mas talvez os brasileiros estejam esperando por algo que nem mesmo foi prometido por ela. Acho acertado quando Aécio diz que sua opção não é pela velha ou pela nova política, mas pela boa política: conquistamos muitos avanços em quinze anos, e foi a má política que os botou a perder.

Para colocar as coisas nos trilhos novamente, precisamos entender que nem mesmo toda a propaganda, bem feita ou mal feita, pode determinar a realidade das opções que temos a nosso dispor. No meu entender, temos uma oportunidade muito boa no dia 5 de outubro para rejeitar os descaminhos recentes e afirmar nossa intenção de retomar os bons legados de Lula e FHC. E para mim a melhor opção para isso é votar em Aécio Neves, número 45.

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