Ciclovias e um tiro no próprio pé de Haddad

ciclovia-SP

Embora seja um tema fora das eleições 2014, as ciclovias que o prefeito Fernando Haddad está construindo em São Paulo têm tudo a ver com política. Como não é surpresa, quem é a favor do projeto do prefeito aplaude e acusa quem é contra de ser coxinha e de pertencer à elite paulista que trata o carro como um verdadeiro ente da família. E, claro, dos governistas que vão fundo na crítica e chamam quem é contra de elite paulista fascista, deturpando completamente a palavra “fascista” e levando o debate para escuridão. Além do outro lado dizendo quem usa bicicleta é que é elite. No Brasil, o bom senso é estuprado em cada debate polêmico.

Antes de tudo, não sou paulista e não moro em São Paulo. Mas acho que posso palpitar sobre esse assunto. Torci pela vitória de Fernando Haddad na campanha de 2012. Observava nele um jovem com futuro e com visão que tanto a política brasileira clama e por seus adversários, José Serra e Celso Russomanno. Haddad era, de longe, o melhor nome na disputa. Um sopro de novidade que São Paulo precisava.

Tudo vinha na normalidade até junho de 2013 – ah, junho de 2013. Marco da mudança (boa e ruim ao mesmo tempo) de como o brasileiro vê os políticos e a política brasileira. A popularidade dos governantes despencou. Da presidente da República a governadores e prefeitos. Alguns se recuperaram. Outros, não. Haddad embicou para baixo chegando a incrível marca de 47% de rejeição ao seu governo.

Eu não sou contra as ciclovias, mas vejo que sair pintando ruas não vai resolver o grave problema de mobilidade da cidade de São Paulo. Muito pior é sair por aí acusando quem é contra a medida do prefeito de folgado que prefere carro por preguiça e por status. É preconceito. Não, quem prefere usar bicicleta para ir trabalhar não é só a elite, mas também não beneficia o trabalhador mais humilde que mora no outro lado da cidade e que precisa pegar vários ônibus para ir e voltar. Ciclovia é para poucas distâncias. Você usar isso para a população pobre chega a ser desumano. São Paulo é muito grande para o principal meio de transporte, principalmente para quem mora longe do trabalho, ou seja, os mais pobres, ser bicicleta.

Essa população quer é mais ônibus com conforto, metrô e trem funcionando decentemente e com preço justo. E atenção: Pobre não tem ódio a carro. Quem não tem é porque não pode ter um. Prioridades. Por isso que acredito que o prefeito Haddad errou na estratégia. Se essa ideia foi para agradar a população mais pobre, para melhorar o trânsito, ela está errada. Um tiro no próprio pé do prefeito. Isso joga mais lenha na fogueira na eterna luta de classes entre ricos contra pobres – elite contra trabalhadores.

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