Marina Silva pode ser problema ou pesadelo

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O primeiro Datafolha fechado após a trágica morte de Eduardo Campos mostra que Marina Silva pode ser um problema para Aécio no primeiro turno e um pesadelo para Dilma no segundo. Eis os resultados: Dilma 36%, Marina 21% e Aécio 20%. Em quarto, bem distante, segue o Pastor Everaldo, com 3% do rebanho.

O resultado não surpreende. De acordo com o mesmo instituto, Marina alcançava 27% no levantamento de abril, o último em que seu nome foi oferecido ao público até o desaparecimento de Campos. Visto dessa ótica, o empate técnico não chega a ser um mau resultado para Aécio. O candidato sabe que contará com muito mais tempo de propaganda na televisão do que a provável candidata do PSB e, certamente, com muito mais capacidade que os ‘sonháticos’ para robustecer o caixa da campanha.

O problema para o senador mineiro será recalibrar a campanha. Se antes toda a artilharia tinha como alvos a presidente Dilma, agora o Tucano terá que se defender de um ataque especulativo produzido por uma adversária de biografia respeitável, assessorada por reluzentes grifes da economia e que ainda tem a seu favor um clima de comoção popular. Por mais evoluído e cirúrgico que possa ser o marketing político ainda não desenvolveu arma 100% certeira para golpear esse combo de vantagens.

Começando pelo fim, analistas de A a Z, de plumagem tucana ou de estrela vermelha na lapela, acreditam que quando o trauma pela trágica morte de Campos for mais assimilado, o componente emocional que agora atrai o eleitor para Marina vai se esvair, o que distanciaria esse voto da rede da candidata. É possível. É inegável que qualquer pesquisa feita agora vai captar os efeitos da comoção popular provocada morte precoce do ex-governador pernambucano. Como vice de Campos, Marina seria a natural beneficiária dessa herança emotiva que, no entanto, tem prazo de validade curto, antes de começar a se diluir.

Dito isso, falta apenas combinar com os russos, como ensinou Mané Garrincha. Por acaso, alguém é detentor da métrica perfeita para medir quanto tempo dura o impacto de uma tragédia tão eloquente quando o acidente que vitimou o jovem e promissor Campos? Não se deve esquecer que o intervalo entre o enterro e o dia do voto será de apenas 49 dias. Portanto, os adversários de Marina precisam correr.

Para dificultar a vida dos concorrentes, a ambientalista está assessorada na economia por estrelas de livre trânsito no mercado, como André Lara Resende, um dos pais do Plano Real, e Eduardo Gianetti da Fonseca. Ambos, é bom que se diga, vinhos da mesma refinada cepa dos economistas tucanos. É claro que a candidata tem um latifúndio de dificuldades no relacionamento com o agronegócio. Mas o lastro garantido pela dupla Lara Resende – Gianetti, mais os acordos fechados por Eduardo Campos, podem reduzir as diferenças.

Por último, a biografia de Marina deixa poucos flancos abertos aos ataques rivais. No máximo, é possível atirar contra certo fundamentalismo religioso ou ainda questionar atrasos que os lobbies ambientalistas causaram as obras importantes. Mas nada que se compare aos esqueletos que os outros concorrentes tentam ocultar.

Os tucanos sabem que com a chegada de Marina ao páreo o segundo turno é quase uma certeza. Só não podem cravar que o segundo lugar continuará reservado a eles. E quando a propaganda eleitoral mostrar que Eduardo Campos agora é Marina, o efeito pode ser ainda mais devastador. Nunca é demais lembrar que o trabalho de campo do Datafolha foi fechado antes do velório de Campos, quando se viu a candidata dividindo a dor da perda com a família do ex-governador.

Fora isso, ainda há o “voto útil”. Se Marina se mantiver em níveis próximos aos de Aécio até a eleição, há uma grande chance de que ela receba o voto antipetista não identificado, aquele que simplesmente beneficia o candidato com mais chances de derrotar o PT.

Para Dilma, os ‘sonháticos’ representam um pesadelo. Na simulação Datafolha de segundo turno, Marina alcançou 47%, contra 43% da presidente. O PT sabe que a ambientalista receberia, sem esforço, o voto Tucano caso seja uma das finalistas. Por isso, torce para que a decisão não seja entre as duas mulheres que, além do desejo de ocupar o Planalto, têm em comum o fato de já terem sido ministras de Lula. Por incrível que pareça, Aécio pode contar com uma pequena, e disfarçada, torcida petista.

Fábio Piperno (@piperno) é jornalista.

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2 comentários sobre “Marina Silva pode ser problema ou pesadelo

  1. Eu estava na ala dos indecisos, com a morte de Eduardo conheci melhor o seu plano de governo e a coerência de Marina e optei por Marina.Que essa de esvaziar ? aí é que você se engana! não cola.

  2. Olha, sabe o que mais me chateia, é que agente acredita em uma pessoa, pensa que ela vai lutar pela gente e o pior acha que ela gosta do povo brasileiro.
    Sabem porque estou escrevendo isso é porque nas eleições passada votei na presidente dilma e pensava que ela poderia ajudar as pessoas, mas em vez disso ela roubou, deu cargos para ladrão e mais ladrão….
    Acredito eu que todas as pessoas que ela deu cargos, não precisava roubar pois, os seus salarios já são altos o suficiente pra terem uma vida digna…
    Eu sonho com dia em que esses governantes, lutem de verdade pelas pessoas.
    Estou tão decepcionada com a forma em que essas pessoas nos manipula..
    Gostaria de saber…. o porque de tanto roubo, o porque de querer tanto poder…

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