A crise de identidade cultural brasileira

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Critico muito os saudosistas, mas as antigas canções da MPB – principalmente do período da ditadura – tinham qualidade. Hoje em dia, os sucessos são “beijinho no ombro” e “bunda lê, lê”…  Há claro um declínio da música popular brasileira. Aliás, não só na música. No futebol, em alguns esportes que ganharam tudo no passado recente como o vôlei, por exemplo, estão em notório declínio. Até as novelas brasileiras que são exportadas para todas as partes do mundo perderam a qualidade de outrora. O Brasil passa por um momento de crises nas suas principais identidades culturais.

No passado você tinha Chico Buarque, Caetano Veloso (antes de virar admirador de black bloc), Geraldo Vandré, Gilberto Gil entre outros. O Problema do Chico Buarque é ele gostar de Fidel, Che e da ditadura dos Castro. Fora isso, um dos maiores compositores da história. E o erro de alguns esquerdistas revolucionários é que levam ao pé da letra muitas músicas da época da ditadura. Elas são lindas, eu gosto, mas para por aí. Não dá para sonhar com revolução como a cubana ou a russa de 1917 em pleno século 21.

Apenas alimenta os neuróticos que pensam que o Brasil corre riscos de cair numa ditadura comunista (!!!) ou bolivariana como a Venezuela ou virar uma Cuba de dimensões continentais. Quem pensa assim ainda vive com a mentalidade da guerra fria. Não passou pela queda do Muro de Berlim. E isso vale tanto para direitistas quanto esquerdistas.

Hoje os ícones da MPB são Latino, Valesca Popozuda e Anitta. Com todo o respeito com quem gosta (e não tem nada de errado de gostar desse tipo musical), mas pra mim não dá.  Meu gosto não bate com as músicas da atualidade. E o grande problema é qualificar qualquer coisa lançada hoje em dia de “arte”, “genial”, “craque”, “fenômeno”. Como bem disse uma vez o grande Ariano Suassuna: “se qualquer porcaria recebe o rótulo de ‘genial’, o que diremos sobre Beethoven?”. Se tudo é arte nada é arte.

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