A volta da República Café com Leite

10351828_788729727838577_5287147382266487375_n
Aécio e Aloysio, a dupla café com leite.

Na última segunda-feira (30), Aécio Neves confirmou o nome de Aloysio Nunes Ferreira, Senador por São Paulo, como seu vice na candidatura à presidência da República. Aloysio era um dos nomes cotados ao lado do tucano e ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, da deputada Mara Gabrilli (PSDB/SP) e da ex-ministra do STF, Ellen Gracie.

Ficou conhecido como “política do café-com-leite” o arranjo político que vigorou no período da Primeira República (mais conhecida pelo nome de República Velha), envolvendo as oligarquias de São Paulo, Minas Gerais e o governo central no sentido de controlar o processo sucessório, para que somente políticos desses dois estados fossem eleitos à presidência de modo alternado. Assim, ora o chefe de estado sairia do meio político paulista, ora do mineiro.

O arranjo político organizado pelo próprio Aécio também ganhou essa alcunha. Porém, além de recordar da República Café com Leite, a indicação de Aloysio traz uma questão mais importante. O PSDB nasceu para ser o partido da Social Democracia em 1987, mas ao longo dos anos foi ficando mais perto de conservadores – alguns reacionários. Um partido que em sua origem era de centro esquerda passou para a centro direita quando assumiu o poder em 1994 na eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e que depois da vitória de Lula em 2002 viu o PT se transformar de esquerda para centro esquerda, ocupando o lugar que era dos tucanos.

Leia mais: PSDB, entre o Bolsa Família e a bolsa Louis Vuitton

Com a indicação de Aloysio, Aécio procura os votos dos insatisfeitos, dos “contra tudo que está aí”. Torna-se cada vez mais o “candidato da direita”, da direita conservadora e até da ultra direita. É um caminho. Até porque falta um candidato com esse perfil. Mas foge das características e mata de vez as origens do PSDB, além de não ser garantia de vitória. Também é preciso saber se é esse o caminho que Aécio deseja seguir ou se foi apenas para trazer José Serra e a ala paulista para campanha – Aloysio Nunes é serrista – e agradar os eleitores de São Paulo. Lembrando que, na eleição de 2010, Aloysio Nunes foi eleito senador com 11 milhões de votos, mas beneficiado com a morte do ex-governador Orestes Quércia, cuja família pediu que seus eleitores votassem em Aloysio.

Contudo, Aécio precisa ter em mente que não dá para fazer um discurso de “ajuste fiscal, tomar medidas impopulares” e ao mesmo tempo fazer um discurso mais para esquerda como transformar o programa Bolsa Família em programa de Estado, por exemplo. Vai chegar a hora que vai ter que escolher uma bandeira e descer do muro.

Anúncios

Um comentário sobre “A volta da República Café com Leite

  1. Acho que o discurso dele será de melhoria de gestão. Corte de gastos públicos desnecessários, menor burocracia e maior eficiência nos investimentos, melhorando os serviços prestados a população. Caso eleito, ele terá um governo de social-democracia no estilo europeu (talvez o alemão).

Os comentários estão desativados.