Unidade

pesquisa datafolha junho 2014Na última sexta-feira, o Instituto Datafolha divulgou mais uma pesquisa presidencial de olho nas eleições de outubro. A pesquisa mostra que a presidente Dilma perdeu 10 pontos desde a primeira pesquisa do instituto em fevereiro. Também mostra o ex-governador de Pernambuco empatado tecnicamente com o pré-candidato do PSC, Pr. Everaldo Pereira. Além do pré-candidato Aécio Neves (PSDB), com 19%.

São Paulo é o berço político do PT. Mais especificamente, São Bernardo do Campo no ABC paulista. Mas os dados do maior colégio eleitoral do Brasil separados dos demais Estados são preocupantes para o Planalto e para o PT. Dilma e Aécio aparecem tecnicamente empatados.  A petista com 23%. O tucano com 20%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Os números da presidente em São Paulo são assustadores para ela e trazem esperança para Aécio Neves e os demais candidatos de oposição. O governo Dilma é aprovado por 33% da população em nível nacional e cai para 23% entre os paulistas. O percentual dos que acham o governo Dilma ruim ou péssimo é de 28% no Brasil e 39% em São Paulo.

Não é surpresa o PT sofrer em São Paulo nas eleições. O estado mais rico e populoso da federação é governado há 20 anos pelo PSDB. A ex-prefeita Marta Suplicy não conseguiu sua reeleição em 2004 e perdeu a prefeitura novamente em 2008 para Gilberto Kassab, ainda no partido Democratas – antigo PFL – e vice do então prefeito José Serra, assumindo a titularidade da prefeitura paulistana depois que Serra saiu candidato ao governo do Estado de São Paulo.

Nas últimas eleições presidenciais não foi diferente. Lula perdeu para Geraldo Alckmin nos dois turnos em 2006 em São Paulo. E Dilma Rousseff também perdeu nos dois turnos para José Serra na terra bandeirante em 2010. Os dois eram os governadores de São Paulo nos dois pleitos que foram derrotados pelo PT na soma geral dos votos.

Esses números revivem a eterna polêmica de que São Paulo é quase um estado independente do Brasil. Aí aparecem os comentaristas de portais (não só eles) destinando preconceito aos demais Estados da Federação por não seguir o mesmo caminho da maioria de São Paulo. Na eleição presidencial de 2010, que deu a vitória à presidente Dilma, a estudante Mayara Petruso escreveu todo seu ódio e preconceito contra os nordestinos nas redes sociais por esses votarem em peso em Dilma Rousseff.

Claro que não se pode alimentar o bairrismo e muito menos o ódio entre os estados, mas esses números podem resultar em um debate sobre a unificação do país. E esse debate é até interessante se for saudável. Sem ódio contra nordestinos, gaúchos, paulistas, cariocas, mineiros, etc.

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2 comentários sobre “Unidade

  1. Eu sinceramente acho que muita gente tem medo de dizer aquilo que, penso, explica os 20 anos de PSDB no poder por aqui. É um bom trabalho. Às vezes um ótimo trabalho. Eu conheci bem parte da melhor parte do Nordeste e morro de inveja do que se conseguiu construir por aqui. Estradas, segurança, estrutura como um todos, as coisas acontecem, as pessoas evoluem.

    Diferente da Mayara Petruso, eu tenho a liberdade de dizer que lá a informação demora mais a chegar. São menos jornais, canais de TV, acesso a internet, há como provar isso. Mudanças que ocorrem aqui demoram a chegar lá.

    Eu gosto de ver o mapa de votação das campanhas de 2002, 2006 e 2010. Nota-se uma onda azul partindo de SP e se espalhando. Minha opinião é que o PT vai cair de maduro. E o Nordeste será a última região a perceber isso. E nem é pra sentir pena disso. É pra se perceber e trabalhar na correção disso.

    Como costumam dizer, você não dá jeito num problema enquanto não reconhecer que ele existe.

    O mapa que falei: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/files/2010/11/o-avanco-da-oposicao.jpg

  2. O problema é que São Paulo acaba alimentando dentro deste bairrismo o mito de que é independente. É o mito da “Locomotiva”, alimentado por mídia local, políticos e até pelo lema da capital “Non ducor, duco”. Esse mito prega que São Paulo carrega o país inteiro e que deve ser farol para o que o resto do país deve seguir. Este mito de soberania paulista é bastante arraigado, mas frágil se confrontado com situações reais, mesmo que hipotéticas.

    Se desligarmos Itaipu, o que acontece com São Paulo? Se chover pouco no sul de Minas, nas nascentes do sistema Cantareira, como está acontecendo? São Paulo é apenas um pedaço de uma grande engrenagem chamada Brasil. É um estado importante, mas não pode ser sobre-estimado.

    Na política, por quase duas décadas, o centro foi SP com dois filhos adotivos seus sendo presidentes em seguida. Só que o momento do país é outro depois de 2002, tanto que o PT lançou candidata sem relação próxima com SP e ganhou em 2010 e agora o PSDB faz isso em 2014 também. Aí vem o mérito de outras regiões, como o Nordeste, ganharem mais relevância econômica. O lance do PT ter mais votos no Nordeste que no Sul/Sudeste é porque justamente se notou mais lá esta diferença, pois era a região que precisava de mais cuidados e começou a ter isso nos últimos anos e isto traz impacto para a população de lá.

    O impacto é menos sentido aqui e em SP por serem estados mais sedimentados socialmente, embora tenham problemas como todo o país. SP talvez pelo esgotamento do discurso do PT em sua origem e no PR (e SC também) por uma resistência grande que há ao partido no estado, que chega a ser demonizado por setores da sociedade como se estivéssemos vivendo ainda em 1989.

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