Ainda há militância orgânica e isto assusta

Genoino é preso - Eduardo Knapp-Folhapress
Genoino se entrega ao lado de familiares, através deles, o grupo “Estamos Aqui” organizou a campanha que pagou a multa do ex-presidente petista (FOTO: Eduardo Knapp/Folhapress)

Por Pedro Spiacci

Nos últimos dias, campanhas de arrecadação de dinheiro para o pagamento das multas dos petistas condenados na Ação Penal 470 chamaram a atenção.

Os movimentos arrecadaram mais de um milhão de reais, em menos de um mês, para quitar as dívidas do ex-presidente do PT, José Genoino, e do ex-tesoureiro da sigla, Delúbio Soares – a do ex-ministro chefe da casa civil, José Dirceu, já está sendo iniciada. As campanhas geraram críticas nas redes sociais e derrubam um mito de existir uma militância paga no Partido dos Trabalhadores.

Na verdade, ficou provado que há uma militância que paga e não o contrário. Como disse bem, o jornalista Ricardo Melo, em sua coluna na Folha de São Paulo, nesta segunda-feira: “Genoino e cia. agiram como deveria ser habitual num partido de raízes populares: recorreram à militância. Quem se assustou? Todo mundo para quem não passa pela cabeça alguém doar dinheiro por acreditar em alguma coisa, alguma ideia, algum futuro”. Este tipo de militância, que compra a ideia do partido, luta por ela e investe nela, é o que me faz acreditar que o futuro da democracia deve ser dentro dos partidos.

Porém, o PT merece críticas, pois nasceu fortemente ligado às bases e, hoje, está um pouco afastado da origem. Nos momentos mais graves – a Ação Penal 470 é um deles –, a sigla se sustenta na população. A aproximação também ocorre durante as eleições. Mas defendo que a ligação com os eleitores deve ser feita durante todo o tempo, inclusive quando o partido não está mobilizado para eleger seus candidatos. Óbvio, o problema não é só do PT e a crítica aqui é direcionada ao partido, pois este foi criado justamente com esta ideia popular. Uma observação necessária é que existem políticos, que têm ligações orgânicas com a população em todos os partidos, mas são minoria.

Por isso, um movimento partidário orgânico como este gera críticas e incertezas. Principalmente, em uma sociedade como a brasileira, que rejeita fortemente os políticos no geral. Não dá para esquecer declarações recentes de políticos de destaque no Brasil. Uns criam um partido dizendo que “não têm o objetivo de ganhar eleição”. Outros defendem o fim de todos os partidos políticos e inclusive o próprio.

Em uma sociedade que pede menos influência das grandes corporações nas eleições, o pagamento das multas petistas mostra que há espaço sim para o financiamento público de campanha. Vi críticas, sem nenhum embasamento, de que as campanhas seriam para lavagem de dinheiro, mas nada provado, apenas ilações. Por isso, levanto a bandeira de que concorde ou não com as campanhas de arrecadação de dinheiro petista, as respeite e entendem o que elas representam. Ao contrário do que muitos pensam, elas podem representar um passo grande para uma democracia mais livre no Brasil.

Anúncios