Meu autismo

autismo

É difícil agradar a gregos e troianos. E bem mais difícil é agradar direitistas e esquerdistas. Ainda mais em tempos de redes sociais.

Quem resolve ser neutro e não entrar nessa falsa dicotomia (muto bem explicado nesse texto aqui), concordar em certos momentos com a direita e em certos momentos com a esquerda, acaba se isolando e afastado dos grupinhos que se formam nas redes sociais. Quando você concorda com uma proposta do governo do PT você é logo tachado de “petralha” e “esquerdopata”. Quando você faz uma crítica ao mesmo governo do PT aí é “reaça”, “coxinha”, “direitalha” e outros adjetivos nada singelos.

E, se você não toma um lado da briga, além de rotularem você disso e daquilo ainda te isolam. Você fica como o Chile: imprensado entre o mar do pacífico e a Argentina. Estar sozinho, porém, muitas vezes é melhor do que ter a companhia de malucos e fanáticos da direita tacanha e da esquerda caviar. Encontrar um meio-termo entre a razão e a paixão é o melhor caminho sempre. Não concordar com os governistas fanáticos não faz de você um fã de Olavo de Carvalho e muito menos um reacionário, não concordar com as teses do citado jornalista não faz de você um fã de Karl Marx e com as atrocidades cometidas por Stalin. Se você não é fã de Fidel Castro e Che Guevara e não é um entusiasta de La revolución cubana, não faz de você um “coxinha”.

Quando, na verdade, você quer apenas ter sua opinião com direito de poder mudá-la quando perceber que ela ficou velha, ultrapassada, saturada ou simplesmente você viu que estava errado em algum tema (principalmente em temas polêmicos). Grandes tragédias da história da humanidade se deram por ideologia política e religião. Porque todo tipo de fanatismo é uma doença. Extremistas provocam o terrorismo, e isso vale tanto para terroristas da Al-Qaeda quanto para governantes ditadores. E também vale para militantes de internet que passam do ponto no propósito de defender seu partido, sua ideologia, sua religião e seu político preferido.

É melhor tentar ser você mesmo, ter suas próprias ideias e, sobretudo, não ter medo e nem compromisso com o erro. Mesmo que isso custe amizades e você fique isolado dos grupos nas redes sociais. É melhor curtir o seu autismo do que fazer papel de ridículo defendendo o indefensável cegamente. Posições políticas são importantes, mas ficar cego por elas é burrice e, em alguns casos, faz de você um cretino.

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