De volta à rotina

Os protestos da natureza de junho ainda acontecem, mas viraram notas-de-rodapé no cotidiano, como eram as manifestações humanistas que ocorriam antes de junho.

Após todas as manifestações de junho, que começaram pequenas, foram atiçadas pela truculência burra da PM paulista, mostraram beneficamente que a juventude brasileira não é inerte e, por fim, degringolaram em ideal, o cenário finalmente acalmou-se.

Enfim, como consequência da “Revolta do Vinagre” (movimento que parecia vinho, mas no fim se tornou vinagre), Dilma Rousseff e todos os governantes tiveram suas popularidades ceifadas pela contestação à estrutura política vigente. Passada a tempestade, os governantes que tinham “boa fama” pré-junho, voltaram a ver suas aprovações crescerem.

No caso da presidenta (ou presidente, como queiram) a notícia é mais benéfica ainda, dadas as suas intenções em se reeleger no ano que vem. A última sondagem divulgada pelo datafolha já indicou um aumento de cinco pontos percentuais nas intenções pró-Dilma e isso deve aumentar nas próximas pesquisas. Era um fenômeno já previsto pelos entendedores de política.

Numa segunda posição, não muito distante de Dilma, está a nômade partidária Marina Silva. Essas sondagens muito antes da eleição servem muito mais para indicar movimentações interessantes. Neste caso, o crescimento da ambientalista deixa nítido que ela será um fator importante em 2014. Marina é vista como uma opção aos dois partidos tradicionais e desgastados perante o povo e, principalmente, à juventude. Por mais que seu programa seja muito focado no meio ambiente e um pouco etéreo no geral, ela já teve vinte milhões de votos em 2010 e deve conquistar mais gente ainda para 2014, com chances razoáveis de se tornar uma ameaça num hipotético segundo turno.

No lado tucano, após todo o escândalo do propinoduto, o nome de Aécio Neves ganha força, ou pelo menos, deveria. José Serra, envolvido no escândalo, já avisou que quer “prévias justas” na escolha do candidato do PSDB, o que deve dar uma chance para a ala paulista do partido alavancar o eterno vice (sim, Vasco, não é só você).  O caso do cartel em São Paulo que poderia firmar Neves como o nome tucano para 2014, representando uma renovação nos candidatos do partido e, talvez, uma campanha baseada num “recomeço”, provavelmente, de nada servirá.

Eduardo Campos continua sendo o “café-com-leite” das pesquisas, porém, olho nele. O PSB vem numa crescente nos últimos pleitos e o governador de Pernambuco pode ser figura importante e não um mero coadjuvante apenas.

De volta a questão da popularidade pós-protestos, quem não tem ninguém batendo panela na porta de casa viu seu nível de aceitação crescer, viram Alckmin e Cabral? (este último que se preocupe, porque além de não conseguir eleger seu sucessor, pode até ter de sair à francesa do governo fluminense, mas isso é papo para outra coluna)

Gustavo Vaz

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