Dilma derrapa com os protestos

DILMA-ROUSSEFF

Por Gustavo Santos Vaz

Uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, divulgada e encomendada pela Gazeta do Povo, de Curitiba, indica que Dilma Rousseff perdeu terreno nas pesquisas, a um ano e três meses do pleito presidencial. Se a eleição ocorresse hoje, a presidenta deveria disputar um segundo turno.

Marina Silva, terceira colocada em 2010, seria a principal concorrente de Dilma. Opiniões de cientistas políticos e deste colunista apontam a neutralidade de Marina como principal fator para esta popularidade. Marina não tem experiência alguma como governante de cargos executivos, não se inclui no eixo padrão de PT e PSDB, por isso é vista como a “grande opção” pelo povo que se ergueu em manifestos alheios aos pilares da política tradicional, como defendem os mesmos. Além disso, Marina tem bastante simpatia de diversos intelectuais e midiáticos, por sua vertente ecológica.

Outra grande curiosidade da pesquisa é a melhor situação de José Serra em relação a Aécio Neves. Apesar de ser um político extremamente desgastado por tantas derrotas, ainda parece ser o mais seguro para os partidários do PSDB. Enquanto Serra aparece com 21% (contra 22 de Marina e 32 de Dilma) na simulação que o envolve, Aécio tem 15% (contra 23 de Marina e 34 de Dilma) quando é colocado como candidato da oposição. Isso pode indicar que Aécio ainda não é tão conhecido e confiável e que tem potencial de crescimento, ou então que sua imagem realmente não é boa entre os tucanos e a população em geral, a ponto de um “pisoteado” Serra ter melhores intenções. O segundo cenário seria quase catastrófico para o PSDB, visto que o partido necessita de uma renovação e Aécio é o nome mais evidente para este processo. Pessoalmente, acho que Aécio ainda sofre de falta de exposição e isso se solucionará naturalmente com o horário eleitoral e a campanha do ano que vem (caso ele seja efetivado como candidato da oposição).

Falando em falta de exposição, Eduardo Campos, do PSB, cotado para ser uma opção nova, de centro nas eleições (devido ao crescimento do partido e a falta de ideologia clara de Marina), aparece com 7% nos dois cenários pesquisados, muito provavelmente devido a sua atuação exclusiva em Pernambuco e no Nordeste. Contudo, com o horário eleitoral, Campos tem potencial de crescimento, talvez maior do que Aécio, por causa do desgaste do PSDB, opositor apenas por ser.

Esta e outras pesquisas mostraram uma queda considerável da popularidade de Dilma com os protestos de junho. Antes popular e segura, Dilma parece ter um ponto de interrogação em relação a sua reeleição. Uma queda de popularidade pode ser normal, por causa do ideal “apartidário” dos protestantes (afinal, governantes da oposição também sofreram com isto). A inércia momentânea de Dilma pode ter ajudado mais ainda nessa derrapada. Entretanto, suas atitudes consequentes do movimento popular podem ter sido a catapulta para Dilma voltar ao seu patamar antigo, controlar a situação e evitar uma tragédia. Evidência disso é a aprovação de 68% da população ao plebiscito proposto pela presidenta, segundo o Datafolha.

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