O eterno problema das drogas

Por Aloisio Villar

Semana passada o congresso nacional debateu uma nova lei de combate as drogas do deputado Osmar Terra (PMDB – RS) que pretende aumentar as punições inclusive propondo a internação compulsória de usuários de crack e com isso volta à tona um debate que na verdade nunca saiu dele.

É um assunto polêmico tal quanto o aborto. Atrai paixões, discussões acaloradas com um lado chamando o outro de drogado que responde chamando de reacionário. Enfim, não é fácil.

E eu como não entendo de nada e dou pitaco em tudo claro que falaria sobre.

Sou meio antiquado nisso, conservador, podem me chamar de reacionário (pessoal de esquerda adora chamar de reacionário aqueles que não concordam com eles) que estou me lixando, mas eu acho que não deve liberar.

Até acho que a questão da maconha pode ser debatida, sinceramente sobre essa droga não tenho opinião formada, sobre as outras nem pensar.

Não adianta falarem que na Holanda liberam. Holanda é muito diferente do Brasil, a invasão que fizeram a nosso país na época que pertencíamos aos portugueses não deu certo então somos nações completamente distintas em suas histórias e modo de viver.

Querem imitar a Holanda? Vão deixar prostitutas serem expostas em vitrines aqui também? Acho difícil, então nada de comparação.

Vai diminuir a violência? Quem disse? Fernando Henrique Cardoso? Ah ta, ele também mandou que esquecessem o que ele escreveu, que tal esquecerem isso também? Ok, se liberarem as drogas o consumidor não terá mais que subir favelas com pessoas armadas até os dentes para comprar seu pó. Provavelmente serão vendidas em farmácias ou grandes magazines. Já imagino o rapaz das Casas Bahia no anúncio “quer cheirar quanto?” ou o Ricardo Eletro falando ”Ninguém vende heroína mais barato que o Ricardo”.

E o que acontecerá com esses bandidões que vendem drogas hoje? Provavelmente o defensor dessa tese acredita que eles falarão “poooxa, estragaram nosso comércio de milhões, vamos comprar jornal e procurar emprego”.

É muita ingenuidade achar que um bandido acostumado com o mundo do crime a ganhar muito dinheiro vai se regenerar só porque proibiram seu “negocinho”. Evidente que ele vai procurar outros meios de ganhar seu “ganha pão” de forma criminosa. Vai assaltar bancos, seqüestrar, contrabandear armas, alguma coisa fará e a violência não vai diminuir.

Ou no futuro pensam em legalizar a venda de armas, assaltos a banco e seqüestros pra diminuir a violência?

Outra coisa. Legalizando as drogas ela ficará mais cara com impostos que serão inseridos ao preço, o traficante sempre venderá mais barato então o mercado negro, paralelo sempre existirá.

Droga faz mal, não adianta romancear. Destrói não só a pessoa, mas a família. É um inferno e não tiro bebida e cigarro dessa situação, só que essas já são legalizadas e populares, impossível proibir e por isso acho que a questão da maconha tem que ser debatida porque a erva não pode ser pior que cigarro e bebida. Esse último tira a pessoa do seu normal e pode provocar acidentes e tragédias fora o vício e a morte.

Resumindo o que penso. Liberar drogas porque houve um fracasso a seu combate é oficializar esse fracasso. É a historia do corno que vende o sofá ao pegar sua mulher com outro no mesmo.

Não é assumindo fracassos que esse mundo vai melhorar.

Quanto a prender usuário e internação compulsória isso é um terreno minado. Não acho que tenha que prender quem usa drogas, antes de qualquer coisa esse cara é um doente. Sim, eu acho o vício em drogas e a depressão as grandes doenças desse novo século. Alguém acha realmente que a pessoa gosta de consumir crack? Gosta de perder sua família, vida, dignidade, vagar como zumbi em crackolândia só esperando a hora da morte?

As pessoas têm repulsa por “crackudos”. Não respeitam, tem nojo, consideram seres inferiores querendo a morte desses sem saber as histórias por trás de cada um e que ninguém está imune a passar por isso ou ter alguém querido passando. Eu tive pessoas queridas que passaram por essa situação. Fui o único que acreditou nelas, na recuperação e se recuperaram. Tudo tem jeito nessa vida, até a morte em alguns casos.

Não dá. Não podemos perder pessoas para as drogas, gente que poderia contribuir para o país. Não dá pra botar numa cadeia usuário junto com estuprador, traficante e assassino, como também não acho que tem que ficar impune, afinal, esse cara ajuda, financia o tráfico.

Mas também não entro no discurso do capitão Nascimento que dá tapa na cara de usuário e mostra traficante morto dizendo “ta vendo quem matou esse cara? Foi você”. Acho que a punição pode ser pena pequena, prestar serviços a comunidade, participar de ONGs antidrogas, trabalhar em clínicas de recuperação de viciados (nesse caso o usuário não viciado).

E sou a favor da internação compulsória, a internação daqueles que não tem mais poder sobre si e pode se prejudicar e aqueles que estão a sua volta. Como identificar esse tipo? Médicos estudam muito pra isso.

Qual o caminho? Educação, esse é o caminho para tudo. Mas é o colégio que vai definir se alguém usará drogas ou não? Não necessariamente. Primeiro que educação não é passada apenas na escola, falo principalmente de casa, pai, mãe, valores. Uma boa educação em casa, uma educação franca onde não tratem os filhos como idiotas, sem ausências e presenças excessivas com mimos além do devido. Fazer da criação uma parceria.

Tenho um pensamento polêmico. Pai não tem que ser amigo, não esse amigo como o filho tem com pessoas da idade dele, pai tem que ser pai e agir como pai. Ser o porto seguro do filho, ensinar a pessoa a quem ele tem que confiar quando preciso.

Segundo que mesmo com tudo isso ninguém está livre do drama das drogas, mas ajuda, ajuda muito a aprender a se defender quando há o encontro.

Eu na noite de 4 de abril de 2005 entrei no meu quarto e estava meu padrasto e amigos meus cheirando cocaína. Cheirando e chorando. Minha mãe falecera naquele dia. Ofereceram-me e recusei ficando lá a noite toda conversando com eles porque não queria dormir, nem ficar sozinho e eles consumindo.

Não deu vontade em nenhum momento. Tive criação, recebi valores e essa situação além do fato de viver dezesseis anos no mundo do samba, onde todos sabem não ser um mundo “careta”, me deram a certeza que não é o meio que faz o homem, o homem que faz o meio em que vive.

E não é admitindo fracassos que a droga será vencida. É lutando.

Anúncios