Diretas Já!

diretasEm 25 de abril de 1984, a Câmara dos Deputados votava a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 5/1983.

O Brasil já ia para 20 anos de regime militar, a ditadura já não tinha a força de antes, mas o voto para presidente ainda era indireto – colégio eleitoral (Câmara dos Deputados e Senado Federal). O deputado Dante de Oliveira (PMDB/MT) fez a PEC batizada de Emenda Dante de Oliveira, que visava garantir eleições diretas para presidente da República através da alteração dos artigos 74 e 148 da Constituição Federal de 1967 (Emenda Constitucional nº 1, de 1969), uma vez que a tradição democrática havia sido interrompida no país pelo golpe de 1964. Pesquisa do IBOPE mostrava que 84% da população brasileira era favorável à Emenda Dante de Oliveira.

Mas o regime ainda tinha certo poder e apesar de ver alguns de seus membros pularem de lado na votação e não evitando a derrota conseguiu ao menos impedir que a PEC atingisse a votação mínima para ser aprovada. Por se tratar de uma emenda constitucional, eram necessários votos favoráveis de dois terços dos deputados (320) para que a emenda seguisse ao Senado. O resultado da votação foi de 298 deputados a favor, 65 contra, 3 abstenções e 113 ausências. Apesar da frustração total nas ruas, essa foi apenas uma derrota, uma batalha perdida, o início do fim da ditadura militar.

Várias lideranças políticas em comício pelas Diretas Já!

Liderado por Ulysses Guimarães, o povo foi às ruas das principais cidades do país, abraçando a candidatura de Tancredo Neves, mesmo sendo uma eleição indireta. Várias lideranças políticas de várias correntes se uniram. Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Mário Covas, Franco Montoro, Leonel Brizola, entre outros. Artistas de TV, da música, do jornalismo, de jogadores de futebol como o Sócrates, todos na campanha pelas diretas.

Não deu para aprovar a emenda das diretas, mas deu para Tancredo Neves ser eleito o primeiro presidente civil depois de 20 de regime militar, através do colégio eleitoral. A vitória de Tancredo Neves provavelmente não aconteceria se não fossem as articulações no Congresso Nacional.

Em 1979, a Lei da Anistia liberou a criação dos partidos políticos e foram autorizados a funcionar normalmente. Assim, no inicio da década de 1980 nasceu a maioria dos partidos que hoje estão em atividade. O PDS sucedeu a ARENA, o partido de sustentação política do governo militar; nasceu o PT de Lula, o PDT de Brizola, o MDB virou PMDB e, em 1987, dissidentes peemedebistas como Franco Montoro, Mario Covas, Fernando Henrique e outros fundaram o PSDB.

José Sarney

Em junho de 1984, preterido pelo partido para ser o candidato à sucessão presidencial, o Senador José Sarney, líder da Arena no Congresso, deixou o PDS e criou com outros dissidentes a Frente Liberal (depois viraria PFL, atual Democratas), que posteriormente constituiu a Aliança Democrática com o PMDB, e foi lançada a chapa Tancredo presidente e Sarney vice.

Tancredo Neves
Tancredo Neves

A eleição indireta aconteceu no dia 15 de janeiro de 1985. Tancredo e Sarney receberam 480 votos no colégio eleitoral, contra 180 de Paulo Maluf (PDS/SP), derrotando o candidato dos militares. A posse dos eleitos estava marcada para 15 de março de 1985. Porém, Tancredo foi submetido a uma cirurgia na noite anterior, ficando impossibilitado de assumir, Sarney tomou posse sem Tancredo. Tancredo Neves faleceu em 21 de abril de 1985.

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