Religião e Política

Por Wanderson Ferreira

Primeiramente como cidadão e depois como cristão evangélico, venho através deste post exibir meu pensamento sobre essa relação.

A relação entre religião e política é uma discussão temática, ideológica e até mesmo ética que chama muito a atenção de governantes, religiosos e especialistas.

Primeiramente, o Estado Brasileiro é laico, no sentido de estar acima das religiões. Todavia, isto não quer dizer que é vedada a observação de pensamentos religiosos. Acima de tudo, o Estado deve estar aberto à todo tipo de opinião, desde que estas respeitem os direitos dos cidadãos. Algumas (poucas, é claro) “alas” da sociedade procuram marginalizar o pensamento religioso, classificando-o como antiquado e medieval. Erram, pois a era medieval foi autoritária não pelo pensamento religioso e sim pela falta de abertura a outros pensamentos. Assim, a eleição de cristãos, umbandistas, muçulmanos ou ateus não fere a laicidade do Estado. Assim como alguns feriados cristãos e os crucifixos em repartições públicas não ferem essa laicidade, pois já estão incorporados ao cotidiano e à sociedade.

Eu vejo que a Laicidade do Estado é ferida a partir do momento em que se dá benefícios a uma religião como, por exemplo, patrocínio à Marcha para Jesus Evangélica. Quando o Estado começa a interferir entre as religiões, dando preferência a uma em demérito da outra, é que vemos a laicidade do Estado ruir. Ao patrocinar um evento, o político quer estar de bem com o “rebanho” de tal religião, porque esse “rebanho” são votos. Quando você fica de bem com uma religião, o conceito de isonomia que a sociedade se auto-aplica te obriga a agradar outra religião. Aí, entram os feriados de santos padroeiros e a religião passa a ser “objeto de troca” na política, algo que Jesus condenou. Claro que há eventos que já se tornaram culturais, atraindo turistas, justificando um investimento estatal graças ao retorno.

Sobre temas polêmicos como aborto, prostituição, drogas e homossexualidade, a maioria dos cristãos (maior religião do Brasil) dificilmente irá mudar de opinião e é algo que os que pensam ao contrário precisam aceitar – e não tentar mudar sob a acusação de preconceito. A maioria dos cristãos sempre será contra a legalização do aborto e da prostituição, descriminalização das drogas e aprovação do casamento homossexual. São valores expostos na Bíblia, a Regra de Fé e Prática de todo cristão.

O que discuto e discordo é da posição ofensiva que muitos tomam na defesa e no ataque à esses valores. Todos têm direitos de serem contra ou a favor de qualquer coisa neste país e “vence” a maioria, algo conhecido como democracia. O PL 122 que é muito debatido na questão homoafetiva é uma lei que conduzia a interpretações vagas, como uma “discriminação filosófica”. Qualquer lei nesse sentido precisa entender que há conceitos religiosos vigentes a mais de três mil anos e que não podem ser desrespeitados em seus ambientes. Portanto, a lei não pode obrigar um pastor ou um padre a realizar o casamento homossexual sob pena de detenção. Em contrapartida, nenhum religioso deveria intervir na questão do casamento civil. Essa é uma área onde deveriam manter-se neutros. A questão de adoção é algo que não tenho opinião formada.

Segundo o pensamento religioso, ser contra o aborto é defender a vida. A prostituição e as drogas também não são aceitas segundo o pensamento religioso por estarem contra os conceitos bíblicos de cuidado com o corpo. Essas três questões morais são tão profundas que só após uma consulta popular para decidir.

Em minha opinião, a relação religião-política deveria ser menos passional e mais conceitual. Os debates que vemos são acalorados, mas vazios de pensamentos, é simples defesa e ataque de conceitos sem qualquer discussão. As leis não podem estar sob o domínio do conceito religioso, como na Idade Média. Todavia, a sociedade não precisa apagá-lo. Cercear um pensamento é cercear o debate, maior premissa da democracia.

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