Dossiês e Panfletos: Até quando?

Foto: Bruno Santos / Terra
Foto: Bruno Santos / Terra

Por Wanderson Ferreira

No Rio de Janeiro, tudo caminha para uma batalha PT x PMDB pela disputa com Garotinho ao Palácio da Guanabara. A campanha eleitoral deixou de ser velada e já é quase explícita nos discursos e nas inserções de TV dos partidos. A guerra que poderia ser fria partiu para a lama, com dossiês e rebatidas dos dois lados. Nesta semana, surgiu um dossiê com denúncias sobre um suposto esquema de propinas na prefeitura de Nova Iguaçu, quando o pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Lindbergh Farias era prefeito. O dossiê publicado pela revista Época teria partido de informações do PMDB.

Vale lembrar que esse jogo-sujo não é só de PT, PMDB e PSDB. Com a imagem manchada que a classe política tem hoje, as “assessorias” dos candidatos preferem sujar a imagem do rival (manchando ainda mais a classe) a tentar moralizar as disputas. Em 2010, panfletos foram espalhados pelo Rio de Janeiro acusando o governador Sérgio Cabral de tentar impedir a candidatura de Anthony Garotinho. Segundo panfletos não-identificados, Cabral teria até pago para que um programa de Garotinho fosse retirado do ar em uma emissora de rádio carioca.

Esses panfletos e dossiês surgem da forma mais misteriosa possível, normalmente não tem identificação de campanha e quando tem alguma identificação são de entidades desconhecidas, como alguma associação de algum grupo específico. Na campanha eleitoral de 2012 em Belford Roxo, por exemplo, surgiram panfletos da “AMEBEL” (Associação dos Ministradores Evangélicos de Belford Roxo) contra o PC do B que liderava as pesquisas para a prefeitura e venceu no 2º turno.

O ideal para nós – eleitores conscientes do que queremos – é não deixa-nos levar por dossiês e panfletos. Quem parte para este jogo sujo demonstra que não tem capacidade para convencer o eleitor. Em vez de procurar adaptar-se, preferem usar o jogo-sujo para difamar o adversário.

Voltando ao Rio, a resposta do senador (assista aqui) dita o tom da disputa para que um dos dois da base aliada (o vice-governador Pezão ou Lindbergh Farias) desista: “Estão querendo jogar todo mundo na lama. Não adianta. Eles não vão conseguir colocar um guardanapo na minha cabeça. Temos outra conduta: não faço política patrimonialista e para enriquecer”. Diante da disputa e da ameaça de perder o apoio do PMDB à Dilma, Lula já disse que “não põe os pés no Rio de Janeiro”, ou seja, vocês que se resolvam. Ou Dilma não virá fazer campanha em 2014 ou um dos dois irá desistir.

Mas não se surpreenda se o ex-prefeito de Nova Iguaçu responder à altura criticando as obras do Maracanã ou a postura do governo no caso da Aldeia Maracanã. A luta é para ver quem desiste, mas não seria melhor fechar o “Copacabana Palace” com todos os líderes de PT e PMDB para se acertar e “trabalharem unidos” como disseram que trabalharam nestes últimos anos?

Enquanto alguém der bola para isso e use como argumentos para votar, alguém surgirá com dossiês e panfletos apócrifos. Resta saber, até quando?

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