O certo da maneira errada

Leonardo Dahi, @dahileonardo

 

A discussão em torno da divisão dos royalties do petróleo é muito complexa e gera reações acaloradas de todos os lados. Os defensores da divisão alegam que a riqueza é de todo o Brasil e, por isso, todos os estados devem usufruir desse dinheiro, enquanto os estados produtores – principalmente Rio de Janeiro e Espírito Santo – afirmam que o petróleo é dos estados e que sem os royalties, não conseguirão sobreviver.

É aí que está o problema.

Eu sou contra a divisão. Acho que não tem o menor cabimento um outro estado usufruir das riquezas fluminenses e capixabas. Porém, também sou totalmente contra o terrorismo feito pelos dois principais produtores de petróleo – em especial o Rio – nas figuras de seus Governadores, Sérgio Cabral (PMDB/RJ) e Renato Casagrande (PSB/ES).

Nos últimos dias, Cabral tem sido alvo de muitas críticas pela maneira como “defende” o Estado do Rio de Janeiro nesta briga. O Governador, que há muito tempo faz a patética afirmação de que “não tem Copa e Olimpíadas sem esse dinheiro”, foi mais além. Cabral suspendeu todos os pagamentos do Rio de Janeiro ao Governo Federal até que o STF resolva essa questão.

Um comportamento patético e infantil de alguém na posição como a dele. E que tem refletido no comportamento de um grupo cada vez maior de cariocas.

Até o Marquês de Sapucaí foi palco dessa briga. A Acadêmicos do Grande Rio desfilou, este ano, com o enredo “Amo o Rio e vou à luta: Ouro Negro sem disputa… Contra a injustiça e em defesa do Rio”. Até aí, tudo bem. O problema, é que o desfile seguiu a mesma linha terrorista de seu Governador,  chegando ao cúmulo de mostrar uma ala representando mortos em hospitais, mostrando o que pode acontecer com a saúde pública do Estado, caso percam-se os royalties.

Nesta última semana, surgiu nas redes sociais um movimento pela independência do Estado do Rio de Janeiro. Qualquer um com dois ou três neurônios sabe que isso é impossível, mas é interessante notar como o Rio tem se defendido da maneira errada em um assunto onde está certo.

O Rio de Janeiro é uma Unidade Federativa, que deve acatar aquilo que for decidido em esfera Federal. Por isso, de nada adianta fazer ameaças, cortar pagamentos ou gritar pela independência. É preciso discutir, debater, mostrar seus argumentos e aguardar a decisão do STF.

Que se faça justiça, de maneira justa.

 

Logo do enredo da Grande Rio para 2013. (Foto: Divulgação)
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Um comentário sobre “O certo da maneira errada

  1. Cabral no início tentou defender o Rio na paz, mas como viu que a justiça não estava acontecendo resolveu pegar pesado, e fez certo.

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