A Pedra no Sapato do PT

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Por Eduardo Rocha

A lua de mel enfim cessou. PT e PSB caíram no marasmo do relacionamento a dois. “A emoção acabou que coincidência é o amor, a nossa musica nunca mais tocou”, diria Cazuza. A separação deve ser “arretada” – referente à origem de ambos: o nordeste. Os ventos trazem consigo espessas nuvens. Antevejo tempestade.

O PT segue absoluto, sem oposição aparente. Porém, no seu quintal, à surdina, desabrochava uma ramificação de sua ideologia. O jardineiro não o tratou feito erva daninha e a cultivou. Naturalmente a flor brotou e alastrou-se pelo jardim. A metafísica explica: dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Portanto, o jardim ficou pequeno. Uma das flores teria de encontrar seu espaço. Naturalmente sobrou para o broto jovem. O PSB atravessou a cerca. Objetivo:Antes fieis escudeiros. Hoje dissidentes e oposição do governo Dilma. Seguindo a risca o complexo de Frankenstein o PSB voltou-se contra seu criador.

O palácio do planalto em 2018. Mas porque abandonar o jardim petista demasiadamente cedo? Preparar o terreno. Adubar a terra, preparar insumos, irrigação e etc. Alicerçar bases ideológicas e “apresentar” Eduardo Campos ao Brasil, usando de laboratório o pleito eleitoral de 2014.

Os rumos do PSB no Rio Grande do Sul

Beto Albuquerque assumiu a presidência estadual do PSB, eleito por unanimidade, elegeu como prioridade trabalhar pela candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a presidente da República. Ou seja, será cabo eleitoral do correligionário.

— Eduardo será candidato a presidente. Ele não pode dizer isso agora, porque a política tem seus tempos, mas esse é o desejo do partido. Time que não entra em campo fica sem torcida — diz Beto, citando o exemplo de Lula, que perdeu três eleições até chegar à Presidência.

Na avaliação partidária, Campos têm chances reais de chegar ao segundo turno e de vencer a disputa, mas, se perder, a campanha será útil para torná-lo mais conhecido dos brasileiros. Beto considera mais importante para o projeto de Campos disputar o Palácio do Planalto, mesmo correndo o risco de perder, do que virar senador numa eleição em que não teria concorrentes.

— Se for para o Senado, ele pode virar um Aécio Neves — afirma Beto em tom de provocação, referindo-se à palidez do mandato do ex-governador mineiro.

Referente à Aécio, o socialista atribui ao PT as especulações de que Campos poderia concorrer aliado ao PSDB e ao DEM, com um vice tucano. Disse ser estratégico, um subterfúgio petista para abusar do discurso de “nós contra eles”. O governador de Pernambuco quer se apresentar como um aliado que ajudou a garantir a governabilidade para Lula e Dilma, mas quer avanços — ou o que o PSB chama de quarto ciclo.

— O primeiro ciclo foi o da redemocratização, o segundo o da estabilidade da moeda, com o Plano Real, e o terceiro o das políticas sociais, com Lula e Dilma. Para sustentar essas três conquistas, precisamos de desenvolvimento, investimento e ascensão econômica — sintetiza Beto, antecipando o que será o discurso de campanha de Campos.

O pernambucano criticou a antecipação da disputa eleitoral pelo PT, ao lançar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição: — Nunca vi quem está no governo, sobretudo quem está no governo numa situação de dificuldade, antecipar calendário eleitoral. Nunca vi isso dar certo.

O PSB está conversando com líderes do PDT, do PTB, do PPS e do PSD para tentar montar uma coalizão com tempo razoável de rádio e TV. Dos quatro, três estão com Dilma e um, o PPS, é aliado histórico do PSDB, mas dá sinais de que pode buscar outro caminho em 2014. A esperança é que partidos que formam base aliada sejam seduzidos a seguir caminho do PSB, alçar novos voos.

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