O PMDB no comando do Legislativo

presidente da câmara-dos Deputados. Henrique Eduardo-Alves, e o presidente do Senado, Renan Calheiros
Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros (foto: UOL)

Por Wanderson Ferreira

O deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) foi eleito o presidente da Câmara nesta segunda-feira, com 271 votos. Alves derrotou os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) – 165 votos, Rose de Freitas (PMDB-ES) – 47 votos, e Chico Alencar (PSOL-RJ) – 11 votos.

Henrique junta-se à Renan Calheiros no comando do Legislativo brasileiro. Fugindo às questões de denúncias de corrupção de ambas as partes (sobre esse tema, a coluna desta semana de Aloísio Villar fala bem), as casas do Legislativo serão comandadas por um partido e – não é descartado – alguns grupos. Vejamos o por quê:

Primeiramente, porque o PMDB é tradicionalmente um partido de rachas. Só por falar de Rio de Janeiro, até o Casal Garotinho já se hospedou na legenda e que hoje são inimigos mortais de Sérgio Cabral, o principal governador peemedebista. Ainda assim, o PMDB também concentra uma parcela da famigerada bancada evangélica fluminense, inclusive seu líder na Câmara, Eduardo Cunha, que foi eleito contra o gosto de vários componentes do partido, entre eles o novo líder da Câmara, Henrique Eduardo Alves.

Segundo, porque Eduardo Cunha é aliado de Sérgio Cabral, governador do Rio que não poderá mais ser reeleito em 2014. E ele é um potencial candidato peemedebista ao cargo de vice-presidente da república. E outro grupo do partido pretende lançar Temer novamente. Além disso, em 2013 temos a disputa pelos royalties. E esta disputa é extra-partidária e envolve os estados. Cada um puxará para seu lado e o clima tenso voltará à casa como no ano passado.

Mas, se esses possíveis rachas forem anestesiados por Temer ou pela presidente Dilma, o PMDB pode fazer as duas casas andarem como Dilma quer. Fica mais fácil negociar com um partido só e alinhado com as pretensões do PT do que com dois em que um esteja visando um posto maior em 2014.

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