O risco do apartidarismo brasileiro

apartidario

Por Wanderson Ferreira

A pesquisa do jornal o Estado de S.Paulo que foi publicada no último domingo não surpreende ao povo. O discurso o apartidarismo se expandiu de sobremaneira na sociedade brasileira junto com o discurso de aversão à política. Declara-se ódio mortal aos políticos, desliga-se a TV durante os “reclames” dos partidos enxertados nas programações. Parecem passar a ideia de que quem declara apoio a um candidato ou um partido se torna tão corrupto quanto os corruptos do país.

A falta de discurso da oposição – que costuma focar sua campanha em “constranger o governo” (palavras de Aécio Neves) relembrando escândalos e falhas – também ajuda a afastar o povo da política. Nenhum eleitor pré-indisposto vai tolerar um jogo de acusações como os que se apresentam nos debates eleitorais. E por falar nos debates eleitorais, o formato televisivo se encontra muito “batido”. Falta dinamismo e uma postura mais ofensiva (e sem acusações) nas discussões. Normalmente, debates são muitos lentos e tardes demais.

Esse apartidarismo brasileiro combinado com a obrigatoriedade do voto forma uma péssima combinação e essa combinação faz com que corramos um risco no futuro: O risco de “achar” uma solução, um salvador da pátria para a corrupção. Na história, vê-se que os salvadores do século XX não levaram ninguém a nada, apenas ao autoritarismo (exemplos mais marcantes: Hitler na Alemanha e Mussolini na Itália, para combater os efeitos da crise de 29). O risco de surgir um “General Eduardo Nascimento” como presidente vindo do “Partido da Integridade Brasileira” existe. Claro que é pequeno pensando que ainda temos nomes e o costume de votar nos partidos grandes (PT, PMDB e PSDB) mas, se dos 56% de apartidários, 30% aderirem à uma solução de urgência, o Brasil se arrisca. E muito!

Ser apartidário é um direito de cada cidadão, mas deve-se ter consciência com o voto para que isso não se transforme num desastre. Rejeitar um partido é prejudicial à democracia. Devemos rejeitar políticas que nos agridam, e não os partidos. Ou corremos um risco no futuro de que, para resolver um problema, tomemos um caminho de solução rápida e dura que causará muito mal para o Brasil.

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