A possível volta do liberalismo

Imagem: Gazeta do Povo

Por Aloisio Villar

Como eu disse na coluna passada a coisa não está boa para a direita no Brasil. Depois de anos comandando a política nacional tendo a ARENA como seu maior partido a direita foi perdendo espaço pouco a pouco. Seus representantes PDS e PFL se transformaram. O PFL para fugir do estigma da direita virou DEMOCRATAS e o PDS depois de mudar várias vezes de nome agora é PP e é base do governo teoricamente de esquerda do PT.

A direita do Brasil tem vergonha. Não sei se do seu passado aliado aos militares, mas a verdade é que ela foi diminuindo pouco a pouco e nenhum partido político hoje do Brasil se assume como de direita ou liberal.

E por ironia do destino alguns dos partidos naturalmente de centro esquerda do Brasil como o PSDB, oriundo do velho MDB que combatia os militares e a direita é que pegou alguns dos pensamentos de direita e um dos seus principais pensamentos é o liberalismo.

As teses do liberalismo econômico vêm de longe, do século XVI. O pressuposto básico da teoria liberal é a emancipação da economia de qualquer dogma externo a ela mesma. Os economistas do fim do século XVIII eram contrários a intervenção do estado na economia. Para eles o estado devia apenas dar condições para que o mercado seguisse de forma natural seu curso.

Citei acima o PSDB porque o partido quando exerceu presidência da República muitas vezes foi “acusado” de liberalismo, assunto ainda é tabu no Brasil. O partido através do presidente Fernando Henrique Cardoso promoveu uma série de privatizações seguindo o dogma de quanto menor a intervenção do estado melhor.

No governo FHC ocorreram privatizações como da telefonia, luz, água, rodovias e a mais polêmica que despertou debate acalorado que foi da Vale do Rio Doce, uma das maiores companhias de minério do mundo. Na época debateram também a privatização da PETROBRAS, mas essa não foi adiante.

O liberalismo é polêmico porque em sua forma de governar como já foi dito a intervenção do estado é a mínima possível. Alguns mais radicais acham que o estado tem que cuidar apenas da segurança pública. Um desses novos partidos que defende essa forma diz que mesmo assim devia ter a concorrência com a segurança privada e dar ao cidadão o direito de portar armas. Bem, nós já vimos algumas situações que cidadão comum ter arma não foi uma boa ideia.

O que posso dizer?

Eu acho que apesar de polêmicas as privatizações feitas no Brasil deram certo. A telefonia melhorou, a Vale dá lucro, não dá pra dizer que fracassaram. A questão é… Ok deu certo, mas foram limpas? Aqui no Brasil é complicado demais, sempre alguém quer levar vantagem, sempre tem o “jeitinho”. Será que essas empresas foram vendidas pelo valor real? Será que o valor integral entrou nas contas da união?

Provavelmente não. Não sou louco de afirmar nada sem provas, mas conhecemos nosso querido país pentacampeão do mundo e sua classe política. Muita gente deve ter enriquecido nessa história toda e provavelmente dava pra vender muito melhor essas empresas.

Algumas coisas sobre isso “pipocaram” na imprensa na época das privatizações, mas todos nós sabemos também que por um caso de amor e amor não podemos combater a imprensa sempre aliviou o lado do PSDB.

Evidente que a imprensa não é imparcial, nenhum ser humano é imparcial e nisso tudo dá a impressão de existir uma imensa caixa preta pra ser aberta do período brasileiro entre 1995 e 2003. Antes que seus eleitores reclamem digo o mesmo do período 2003 a 2013 e mais ainda de 1964 a 1985, esse é o período mais nebuloso de nossa história e não é assunto dessa coluna.

Mas pensando que tudo foi feito de forma honesta foram boas privatizações. Não me defino como liberal, mas também não sou conservador, como eu disse na coluna anterior o negócio não é estar na direita ou na esquerda e sim na frente.

Sou de opinião que o governo tem que se preocupar e cuidar da segurança, educação, saúde, acho que a PETROBRAS não pode ser privatizada mesmo sendo hoje de capital misto e acho que tudo que envolve segurança nacional tem que ficar sob controle do estado, mas concordo que tem coisas que não são necessárias e as vezes até atrapalham desviando o foco daquilo que deve mesmo ser prioritário.

Mas torço para que esses partidos consigam as assinaturas suficientes pra existirem e torço para que exista uma direita, existam partidos com foco liberal no Brasil. Torço para que existam partidos de todas as tendências, até mesmo aquelas que abomino.

Porque isso é democracia. O brasileiro já é bem grandinho e tem que saber o que quer pro seu futuro vendo todas as opções.

Temos muitos partidos? Pior é só existir um e obrigados a ser dirigidos por ele.

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