Leitor(a), seja politizado!

poder

Por Wanderson Ferreira

Brasil. Uma nação de mais de 500 anos de história, sendo quase 200 anos de independência. Já passou por ditaduras, golpes, imperadores e tentativas de revoluções, e hoje vive uma democracia. Embora, nos últimos anos, o país tenha crescido na indústria, ainda somos um país agroexportador. Na área política, já passamos por seis eleições presidenciais livres desde a redemocratização na década de 1980. Hoje temos mais de 30 partidos políticos, algumas ideologias e projetos diferentes de nação, mas deficiências permanecem mesmo com a democracia. E uma delas é a despolitização do povo.

Com mais de 20 anos de eleições livres e com voto secreto, é óbvio que já existiria uma identificação de parcelas da população com alguma personalidade do mundo político ou com algum partido. E deixo claro que essa identificação é normal e aceitável. O que um cidadão politizado não pode fazer é uma defesa absoluta de seu partido ou da personalidade com que ele se identifica. E isto não parece ser prioridade da classe política brasileira. Segundo o Aurélio, politizar é inculcar a certas classes sociais ou a pessoas dessas classes a consciência dos deveres e direitos políticos dos cidadãos que as compõem.

Entretanto, o maior foco dos políticos brasileiros não é convencer o eleitor e sim atrai-lo, por isso se abre tanto espaço para carros de sons e os jingles chicletes. E o sistema proporcional, que elege deputados e vereadores, valoriza os votos para o partido e cria os “puxadores de votos” – caso mais recente de Tiririca, que ajudou o PR a eleger 4 deputados em 2010. Somado a isto tudo, contamos com uma certa conivência da imprensa que, em muitas vezes, não aprofunda o debate sobre as decisões políticas e nem suscita perguntas mais elaboradas para questões cruciais. Mas, leitor(a), não pense que protestar contra estas deficiências fazendo posts no Facebook ou publicando no twitter é suficiente para transformá-lo em politizado.

A internet é um ótimo meio para divulgar opinião, indignação e até marcar protestos, mas a politização é mais lenta, racional e física do que a internet parece demonstrar. Você, leitor(a) amigo(a), compartilha sua opinião com amigos e família? Costuma raciocinar bem seu voto? Neste país, se multiplica a geração dos cidadãos acomodados. Pessoas que já escolheram seu lado, o defendem com suas forças e rejeitam o outro lado. E os partidos procuram fazer do eleitor, um defensor do seu lado. Mas, em meio à geração de acomodados, surgem cidadãos politizados. Conscientes de seus deveres e que buscam seus direitos. E para ser politizado não precisa deixar de apoiar um partido.

Apenas não deixe sua preferência influenciar suas decisões. E procure politizar os outros. Este é um primeiro passo para construirmos uma melhor sociedade. Deixar a acomodação e politizar-se.

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