Sobre a “Pátria de chuteiras”

PATRIA

O governo federal lançou no fim de maio, uma campanha publicitária visando a Copa das Confederações que se inicia já no sábado, dia 15.

A campanha enfatiza que o Brasil é a “Pátria de Chuteiras”, expressão criada por Nelson Rodrigues e que remete ao nacionalismo evidenciado na época da Ditadura, a época do “Pra frente, Brasil”. Trazer o povo para “abraçar” a seleção foi a missão que os publicitários receberam. Só que hoje que não somos mais a Pátria de Chuteiras.

Os políticos estão desgastados junto ao povo, graças as polêmicas e suspeitas. O futebol também. Tirando a paixão pelo clube do coração, tudo se desgastou. É difícil ver estádios cheios no Brasil, não porque o público tenha deixado de acompanhar o campeonato nacional e sim porque hoje se tornou mais vantajoso sentar no sofá e ligar o Pay-Per-view ou o rádio do que encarar um estádio e nem a paixão pelo clube faz o torcedor enfrentar tantos obstáculos e ir ao estádio.

Você deve pensar: O que isso tem a ver com política? Sim, tem!

O acesso à muitos estádios são ruins, seja por falta de sinalização ou por ruas apertadas que não estão preparadas para receber público, e o transporte publico das capitais é horrível.

E ambos dependem do poder público. O Estado poderia construir e reformar as estradas, além de criar sistemas para fazer o escoamento do trânsito, o que facilitaria tanto para o torcedor quanto para o cidadão comum que encara engarrafamentos no dia-a-dia.

Os valores dos estádios sendo inflacionados de mês em mês também não colabora para manter uma imagem limpa. Seria algum absurdo calcular bem e desde o início deixar previsto o valor de R$ 1 bi gasto? Algo ser orçado em R$ 600 mi e custar o dobro, só faz colaborar para denigrir a classe política e do futebol. É imprescíndivel ter 100% de lisura em todas as ações, pois já vimos até onde um boato pode chegar. Ser honesto não é suficiente, tem de parecer honesto também.

No âmbito da CBF, a figura do presidente, Marin, desagrada mais ainda o povo. Além de tudo que ele representa por entrar no lugar de um presidente que afastou-se por corrupção, o discurso nacionalista e a imagem de corrupção mancharam as lembranças do povo sobre a CBF. Até próximo dos anos 2000, o futebol era enxergado pela população com certo romantismo. Hoje, não cabe discurso de Pátria de chuteiras porque o torcedor sabe daquilo que rodeia os poderes e já enxerga com outros olhos, a seleção. Olhos que não estam apenas para apoiar, mas estão dispostos a criticar se preciso.

Agora que já estamos em cima da Copa das Confederações, não há o que falar ou fazer. Todavia, se o governo federal e a CBF querem trazer o povo para o lado da seleção, é ideal que passem a estimular a paixão no torcedor, além de valoriza-lo e respeita-lo como ele merece, pois o torcedor não vai viver só de “Pra frente Brasil”.

Wanderson Ferreira

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Eleição, política e opinião.

Publicado em 11 de junho de 2013, em Brasil e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados.

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